Coisas que eu sei (tão poucas...)

16:58:00

Eu quero ficar perto de tudo que acho certo
Até o dia em que eu Mudar de opinião
A minha experiência, meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração...

[Buscar a proximidade com o que se acha certo, é não abrir mão de valores, independente da "correnteza" ou do que é vendido como certo. É acreditar em sua voz interna, respeitar a do próximo e não aceitar a culpa por sua atitudes - quando internamente fundamentadas.
O pacto com a ciência revela, juntamente com a experiência, os valores que podem ser facilmente moldados a personalidade de um grupo onde cada indivíduo perde a sua característica maior: a individualidade. Daí, atribuir ao conhecimento uma forma de distração seria dizer que mesmo nos momentos de lazer, não precisamos nos tornar vazios ou fúteis...]

Coisas que eu sei...
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei...
O meu rádio relógio mostra o tempo errado: Aperte o Play...

[Vagamente afirmar o que se sabe é uma forma de admitir que nada se conhece - ou muito pouco pela sede de buscar mais. E essa busca não está limitada por cercas de arame farpado. Não precisa ser uma busca de conhecimento externo - Parece muito mais uma busca interna. Sendo este o ponto de partida, tudo fica mais fácil.
Advinhar desta forma mostra claramente aquele "sexto sentido" que insistimos em negar ou sufocar dentro de nós. Por vezes é a nossa razão quase totalmente sufocada pela emoção. E porque não ouvimos com regularidade, perdemos o dom de ouvirmos a nós mesmos. Essa deveria ser a primeira escuta do dia! Não para fechar-se ao mundo, mas porque ninguém nos contará nada.
E porque não nos ouvimos, insistimos em ver um tempo que já aconteceu sendo mostrado em nosso relógio. Voltamos ao passado buscando aqueles minutos que não mais voltarão. Não podemos mais viver nesse tempo. Ele existiu, foi bom mas precisamos voltar ao presente e apertar o PLAY onde está nossa vida agora.]


Eu gosto do meu quarto; do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista, não aceito turistas
Meu mundo tá fechado pra visitação...

[E quem não gosta do que vê em si mesmo? Podemos não admitir, mas nosso ninho é o lugar mais confiável depois do ventre de nossas mães. Percebê-lo desarrumado - ou deixá-lo assim propositadamente - é uma forma de admitir que precisamos mudar, afinal, quem mais poderia nos arrumar senão a nossa própria consciência? Já ouvimos e é um fato: ninguém muda se não quiser.
Perceber o ponto de vista e não aceitar pessoas passageiras por nossa vida é também uma posição corajosa. Quantas vezes permitimos a entrada de turistas para que possamos afastar a sensação de solidão que nos invade no meio da multidão? Quantas vezes empregamos errado a palavra "amor" porque estamos cheios de alienígenas em nossas vidas?
Feche-se! Proteja-se! Saia da vitrine! Você não precisa ficar exposto como um objeto fácil de ser visto e manuseado! Você tem valor! Não permita ser comprado - ou simplesmente furtado - da prateleira para ser descartado na próxima saída de bar ou esquina da vida... ]


Coisas que eu sei...
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei...
Se eu for, eu vou assim não vou trocar de roupa: É minha lei...

[Tão pouco o que sabemos...
O medo é a arma dos... fracos? Não, dos fortes! Não é pecado ou sinal de fraqueza sentir medo. A idéia da loucura ligada ao medo, mostra a ponta de um extremo indo a outra exatamente do lado contrário. O medo pode ser a âncora que te impede de tomar os rumos de sua vida, de tomar uma atitude louca: Começar de novo!
O importante é ter uma coisa: Se decidir mudar, não invente colocar uma "roupa" mais adequada antes. Vá do jeito que está. Com a única roupa que veste o seu corpo. Existem momentos em que fazer as malas pode ser doloroso demais por fazer você levar consigo um monte de tralhas que só te atrapalharão. Deixe a dor de lado...]


Eu corto os meus dobrados, acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas, eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei...

[Conhecemos alguém que amadureceu no amor? Ou tendo uma vida cheia de "alegrias"? Driblar as dificuldades da vida nos torna fortes e mais propensos a cometer nossos próprios pecados. Não os pecados que prejudicam os outros, mas os pecados que fazem parte de nossos agrados pessoais - os nossos erros que nos fazem olhar pra trás e observarmos: erramos, mas corrigimos e fomos em frente sem cometer o mesmo erro. Crescemos a cada dia!
Ver a vida em pausas não adianta muito. Quem pediria um minuto para responder depois de ouvir um "eu te amo" sincero e tão esperado? Quem pediria licença para avaliar situações cotidianas delicadas? Não temos tempo para pausa. O que nos facilita é a coerência. Ela nos faz manter uma única linha de atitudes, que no conjunto, formarão nosso caráter e nos aproximarão dos mais parecidos conosco - respeitando os diversos que não interferirão em nossas vidas.
Observar tudo em pausa pode também fazer com que percamos o foco. Não lembrar de nossos desenhos, nossos projetos, é viver ao sabor da maré... do vento que ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai. Certamente, essa é uma lamentação que não precisamos.]


Coisas que eu sei...
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei...
Eu compro aparelhos que eu não sei usar: Eu já comprei...

[Tão pouco o que sabemos...
Libertar-nos da ansiedade é não guardar nada com a expectativa negativa da dependência.
Manter uma lista enorme de pessoas esperando o contato, em vão, de uma só. Uma especial. Ela acaba se perdendo na multidão de nossos registros, no meio de nossas conversas vazias e das luzes piscando regadas a bebidas que nos tiram da realidade...
Tão pouco o que sabemos...
E o pior, é trazer para nosso meio coisas que não nos servem. Andar em grupos que roubam nossa individualidade. Abrir nossas mentes e admitir coisas que não nos preenchem... Um dia já fizemos isso, mas hoje não... Não mais...]


Ás vezes dá preguiça...
Na areia movediça quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário do lado imaginário eu entro e saio sempre quando tô a fim...

[Tão pouco o que eu sei.... tudo por causa da preguiça...
Considerar-me um buraco cheio de lama certamente não é a melhor das comparações. Pois se assim o fazemos, corremos o risco de não enxergar o que acontece conosco. A lama turva nossas idéias e atinge nosso poder de observação. Afundamos dentro de nós mesmos pela depressão criada no enorme buraco que a cada dia cavamos por viver uma vida que não é nossa.
Para completar o desespero, nos vemos de fora de nosso próprio corpo na vã tentativa de acreditar que aquela não é a nossa vida. É apenas uma peça, fruto de minha imaginação. E os raros momentos de imersão não nos permitem fazer com que possamos tomar as "rédeas" da situação e administrar nossas próprias vidas. Pois só quando estamos a fim, nos dedicamos a nós mesmos. Vivemos mais a vida dos outros, do que a nossa...]


Coisas que eu sei...
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei...
São coisas que antes eu somente não sabia... Agora eu sei! Agora eu sei!

[Tão pouco o que sabemos...
Uma conclusão óbvia se não fosse por um detalhe: ainda vivemos a noite mesmo com o nascer do sol. Nossa opção em não abrir os olhos e observar mais longe, diante do costume que a escuridão nos impõe.
Tão pouco o que sabemos...
Na doce e amarga tentativa de acharmos uma desculpa, tentamos acreditar que somente não sabíamos... Seria fácil acreditar, se não tivéssemos sentido... a dor... a perda...
E como se o final já fosse o previsto: Agora, mas só agora, sabemos. Entendemos. Mudamos...]


Coisas Que Eu Sei [Danni Carlos]

Alexandre Barreto

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