Uma Prova de Amor

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O filme Uma Prova de Amor - My Sister's Keeper/2009 - traz uma história bastante intrigante sobre uma família que vive um dilema: O casal que já possui 2 filhos, resolve ter um terceiro que foi manipulado geneticamente para servir de doador de órgãos para um dos filhos que tem uma doença grave.

Sem buscar o mérito do filme ou o desenrolar da história, me percebi por diversas vezes pensando a respeito de comportamentos cotidianos e bem comuns entre nós, protagonistas da vida real.

Quantos de nós não permite o nascimento de um novo amor para suprir as necessidades de relacionamentos passados? E não pense que essa pergunta serve somente para relacionamentos amorosos. Questione-se também a respeito de suas amizades, laços entre parentes e até mesmo suas relações profissionais.

Claro que o foco mais evidente aqui seriam as relações mais intensas que temos em nossas vidas -  amizades, namoros ou casamentos.

Amores mal resolvidos podem permitir o nascimento de relações "manipuladas geneticamente" para mascarar a ausência de alguém perdido em algum lugar no passado. Permitimos que novas relações comecem em nossas vidas sem termos concedido um ponto final em relações que não aceitamos findas. Escolhemos colocar uma ponto e vírgula ao invés de um oportuno ponto final. Nosso foco ainda está no amor vencido enquanto permitimos uma nova história com alguém que merece integralmente nossos sentimentos.

E neste ponto posso dizer: Temos que viver a validade do amor atual até o seu limite. Sei que posso ser questionado a respeito da validade de um amor, mas acredito que sentimentos, como a maioria das ações em nossas vidas, têm um objetivo, uma razão, e porque não admitir, uma validade. Pessoas aparecem em nossas vidas para para deixarem um pouco de si e levarem um pouco de nós. Esse é o fantástico sentido da vida. E não devemos nos sentir culpados se uma determinada pessoa passou e não é maís. Precisamos entender que por algum motivo que fugiu ao nosso entendimento imediato, ela precisou ir ou foi liberada por nós para que vivesse novas histórias, e nesse sentido defendo a validade do sentimento.

Mais que um simples e egoísta prazer, o amor encontra na vida sua missão; a vida encontra no amor sua razão. Entender que o amor é o registro mais perfeito da plenitude faz com que ele seja divorciado completamente de qualquer sentimento de fugacidade. Mais ainda: Nos permite entender seu caráter duradouro enquanto existe. E perceber o amor com esse tempo e lugar no espaço contribui para que possamos nos desvincular do passado e cultivar novas, completas e intensas relações, sem esquecer do passado que nos doa gentilmente a experiência, como também nos apegar ao futuro que nos revelará novas e lindas sensações.

Nesse ponto ouso dizer: O verdadeiro amor liberta para que a vida prossiga livre em sua matéria e essência. Mesmo que sejamos a parte que não entende o fim, precisamos compreender a validade da relação imposta pelo outro para que a vida continue nos versos da canção que não parou numa determinada frase que insiste em se repetir tal qual um velho LP arranhado.

Precisamos acreditar que "somos pedaços de céu azul" e que nenhum desses pedaços foi feito para ficar sobre o outro, mas ao seu lado. Às vezes uma nuvem vem e nos separa, mas logo nos percebemos em um outro local do infinito e nos damos conta que, naquele momento, aquele é nosso espaço e temos o dever de não sermos um pedaço de céu cinzento. Precisamos ser azuis durante o dia, dourados para acolher o pôr do sol e suficientemente negros para permitir o brilho das estrelas durante a noite.

Alexandre Barreto

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