[in]Visível

21:05:00



No dia em que deveria conceder, ganhou.
Nas horas em que deveria escutar, proferiu.
Nos minutos em que deveria exprimir, emudeceu.
Nos segundos em que desejou aproximar, apenas fez alguns rascunhos...

Era uma menina invisível que habitava seus sonhos.
Tinha ouvido sua voz e percebido seus traços desenhados com perfeição.
A sensibilidade dela – porque era invisível – não era palpável.
Mas estranhamente ele podia a tocar; invadiu sua vida sem pedir licença.

Não dera muita importância para seu sorriso.
Acreditava não ser para si.
No meio de uma viagem, parou na estrada e teve a impressão contrária.
Mas a ponte que unia os caminhos era a menina: invisível.

“Desculpe incomodá-la... Só queria lhe dar bom-dia!”, repetia.
Era um ‘bom dia’ carregado de palavras que lhe atropelavam a garganta.
Um vocabulário de sentimentos que desciam de sua mente e,
Ao invés de chegarem à boca, escondiam-se em sua essência.

Teve medo de perder da mente suas feições, e por isso fez um pacto consigo:
De agora em diante a manteria confidente. Invisível, mas confidente.
Lembraria dela onde quer que fosse:

Seu sorriso em cada lindo amanhecer;
Seu olhar em cada noite de lua clara;
Seu perfume em cada campo que atravessasse;
Seu toque... Como lembraria de seu toque?

Não importa.

Como um belo quadro feito para ser admirado;
Como uma bela música feita para ser ouvida;
Como um envolvente banho de mar para refrescar;
Como a saudade daquilo que não se conhece.

Ele sabia que as mais belas criações da vida
Não poderiam ser colocadas na palma da mão.
E por isso mesmo teve conforto ao descobrir que
O lugar mais apropriado para a menina invisível não era em seus braços:

Ela estava guardada em seu coração...

Alexandre Barreto

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