Auto-estima: Chave para a vida a dois

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Não adianta: a pessoa pode ser linda, ter um bom emprego, morar num apartamento maravilhoso, dirigir um carrão. Também pode ter um papo ótimo, ser agradável, gentil e sensual. Se, apesar de tantas qualidades não tiver uma boa auto-estima, dificilmente conseguirá conquistar alguém ou, o que é mais complicado, manter a conquista.

"A auto-estima é a mola propulsora de uma série de outros sentimentos fundamentais", diz a psicóloga Vilma Ferreira.

"Quando a pessoa se sente segura em relação a si mesma e se gosta, torna-se carismática. Além disso, não desenvolve sentimentos negativos de auto-depreciação, como possessividade, medo de perder e ciúme", afirma.

A auto-estima elevada também nos impede de embarcar em relacionamentos complicados, doentios ou equivocados, porque a intuição funciona como um alarme. Mesmo que a pessoa esteja sozinha e queira muito encontrar alguém para amar, ela é capaz de recuar diante de um parceiro interessante, mas que seja um risco à sua felicidade.


Você tem uma boa auto-estima quando...


...gosta de si mesmo, por isso se valoriza. Não se deixa maltratar nem aceita menos do que sabe que merece. Mas também não é arrogante nem tem mania de grandeza.

...é seletivo e não se envolve com qualquer pessoa. Sabe escolher bons amigos e bons parceiros. Não se liga a alguém por carência afetiva ou sexual.

...tem auto-confiança e sabe defender suas crenças e pontos-de-vista. Por isso, não sai por aí concordando com o que os outros dizem apenas para ser agradável. Nem se deixa ficar arrasado pela atitude ou palavras de outra pessoa. Respeita a opinião alheia mas sabe o que quer.

...tem auto-respeito e sabe se colocar. Não admite ser destratado nem compactua com comportamentos que vão contra os seus valores. Por saber se respeitar, respeita a todos, sem julgamentos. Sabe que cada um vive um estágio de consciência e é responsável por si.

...é alto astral, alegre e otimista. Acredita no futuro e em si mesmo. Não perde tempo com desânimo nem aluga os outros com reclamações.

...não é vítima de sentimentos negativos como ciúme, possessividade, insegurança. Trata-se de alguém que se garante!

...não aceita tornar-se um refém do próprio passado, por mais difícil e doloroso que ele tenha sido. Sabe que a vida acontece aqui e agora e que não é por acaso que o presente se chama “presente”.

Nada de ficar remoendo frustrações e casos mal-resolvidos. Se o seu histórico amoroso não traz recordações muito agradáveis ou se seu último relacionamento só lhe deu dor de cabeça, o melhor a fazer é aprender com a experiência, descartar o que não funciona e concentrar-se em ser feliz.

“Prender-se à infelicidade vivida impossibilita que a pessoa mantenha o pensamento otimista e positivo quanto ao presente e ao futuro”, diz a psicóloga Vilma Ferreira. Ou seja, ao projetar o passado no presente, ela não consegue mudar a freqüência de seus pensamentos e sentimentos.

Quando vem a se envolver com alguém, a tendência é repetir os erros já cometidos ou mesmo querer descontar no parceiro a frustração que sente em relação ao passado.

Isso acontece porque, sem querer, muitas vezes, a pessoa projeta no futuro as experiências passadas e afasta a possibilidade de novos e mais felizes relacionamentos. A razão? Medo de sofrer novamente.

É preciso estar atento e "limpar" o passado para dar passagem a um novo amor. Esse processo tem início com a percepção de que todo relacionamento amoroso é o resultado da interação entre os parceiros. Se algo não foi bom, nada de se colocar no papel da vítima e colocar a culpa no outro.

Ao assumir a responsabilidade por suas escolhas você terá em suas mãos as rédeas da sua vida e poderá tomar posse do poder sobre a própria felicidade.


As motivações que levam à busca de um relacionamento amoroso.


Por incrível que pareça, as pessoas buscam relacionamentos por razões que nem sempre são as melhores. Muitas vezes, o que as motivam são sentimentos negativos, mesmo que não se dêem conta disso.

Embora quase todo mundo procure um parceiro e deseje um relacionamento estável, existem motivações positivas e negativas que nos induzem a um relacionamento afetivo. Veja, a seguir, como reconhecer as mais comuns.


Motivações Positivas


Desejo de intimidade - nesse mundo caótico e individualista, desejar dividir a vida com alguém aceitando a outra pessoa como ela é e mostrando-se, do modo mais honesto possível, é sinal de capacidade de viver a cumplicidade desejável de um relacionamento a dois.

Necessidade de compartilhar o afeto - se na vida profissional a competitividade impera, poder dar e receber sem reservas, apoiando o parceiro incondicionalmente nas suas conquistas pessoais, é um privilégio da maturidade emocional.

Companheirismo - quem é que não quer um amigo pra todas as horas? O amor saudável é amigo e os casamentos mais bem sucedidos são aqueles em que os parceiros desenvolvem um grande amizade entre si e, não raro, tornam-se os melhores amigos um do outro.

Ambição de construir uma família – mesmo que a idéia não seja para já, o desejo de formar uma família motiva a busca pelo amor verdadeiro.

Sexo com amor - tem coisa melhor? Quando a pessoa descobre o quanto é bom fazer amor, dificilmente consegue passar a vida fazendo só sexo.


Motivações Negativas


Medo de ficar só - uma auto-estima baixa faz com que a pessoa se sinta incapaz de viver sem um parceiro e fique com alguém apenas para não ficar sozinho. Para viver um relacionamento amoroso é preciso se amar antes de querer amar outra pessoa.

Dependência – a dependência do outro significa imaturidade emocional e impossibilita a pessoa de ser dona de si mesma, da sua vontade e até mesmo de seu destino. Compartilhar é bem diferente de esperar que o outro que resolva todos os seus problemas ou atenda as suas expectativas.

Necessidade de ter uma muleta – existem pessoas incapazes de encarar a vida de frente, seja por causa de traumas do passado ou por acreditarem que não têm capacidade para dirigir a própria vida. Esse tipo precisa sempre ter alguém por perto para solucionar pequenos e grandes problemas.

Necessidade de dar satisfações aos outros – pessoas que acham que não ter um relacionamento é motivo de vergonha, que têm medo da opinião e do julgamento dos outros e temem ser vistas como "difíceis", "complicadas" ou "inferiores" pelo fato de não ter uma parceria amorosa, podem se unir a alguém apenas por uma questão de manter uma imagem.

Incapacidade de ficar sem sexo – existem pessoas que idolatram o sexo e fazem questão de ter um parceiro garantido para satisfazer seus desejos. Esse tipo pode ficar com alguém visando sexo garantido. Não percebe que o sexo sem amor não alimenta o relacionamento e termina por sugar a própria energia.


Enquanto o amor não vem


O que fazer nesse meio tempo, quando a solidão muitas vezes pode ser tão dolorosa e o tédio, imenso? Em vez de se deixar contaminar pelo desânimo ou pelo desespero que acaba fazendo com que você aceite a companhia de qualquer pessoa, mergulhe na cura interior.

Estabeleça um diálogo consigo mesmo. É fundamental ouvir-se, questionar-se, analisar comportamentos, atitudes e desejos, para encontrar um novo ideal de conduta e de relacionamento. E assim, aprender a buscar a felicidade de um amor duradouro e a descartar aqueles que certamente só lhe trarão sofrimento.

Saber viver o tempo de estar só é a oportunidade para um verdadeiro renascimento. A entressafra amorosa pode ser o momento ideal para a construção de uma vida a dois maravilhosa. Aproveite para mudar os seus padrões de comportamento e fazer uma revisão do que não tem funcionado nos seus relacionamentos.

Para ser feliz no amor é fundamental ter uma boa auto-estima e alimentar o desejo de tornar-se cada vez melhor e de crescer sempre. Acredite ou não, a felicidade amorosa começa justamente quando estamos sozinhos, à espera do amor.

O ponto de partida para o amor bem sucedido é compreender que você é a única pessoa que pode fazer por você aquilo que, provavelmente, vem desejando que o parceiro faça.

Alimente o amor-próprio e saiba dar um tempo para se ouvir, rir, abraçar-se carinhosamente. Um tempo só seu, em silêncio, para que seja possível entrar em contato com os seus sentimentos mais profundos e alimentar o amor pelo ser que você é e que já tem tudo o que precisa para ser feliz.

Uma boa auto-estima significa, também, saber cuidar-se. Estar atento para as suas necessidades, potencialidades, desejos verdadeiros. Se não se dedicar a você mesmo, continuará procurando fora aquilo que só encontrará em seu interior.

Alimentar a expectativa de um parceiro que corresponda à todas as suas expectativas é o caminho mais curto para fazer os seus relacionamentos naufragarem.

Pare de se criticar. Em vez de remoer fracassos ou e afogar-se na própria raiva e frustração, aceite os fatos que aconteceram em sua vida, principalmente, aqueles que passaram e que não podem ser refeitos.

Procure identificar o padrão de comportamento e as razões que costumam levar ao fim os seus relacionamentos amorosos.

Enquanto não perceber o que é que você costuma fazer e que não está funcionando, não adiantará mudar por fora, ganhar dinheiro, ou realizar outras mudanças externas.

Limpar o passado significa entrar em contato com a sua verdade, com aquilo que você é, aceitando-se e entrando num movimento natural de expansão da vida.

Isso quer dizer assumir um compromisso com o crescimento contínuo, a melhoria constante, a superação das próprias dificuldades, o aumento da capacidade de ver o outro. Desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro, de trocar e compartilhar sem comprometer seus valores fundamentais.

Livre-se de crenças como: "Não posso viver sem o fulano, que é o meu amor" ou "Deve haver algo errado comigo", "Todo mundo é melhor do que eu", assim por diante.

As experiências dolorosas nos ensinam que é preciso parar, analisar, questionar-se e encontrar a verdade dentro de nós. Sem medo nem vergonha de encarar a realidade de frente. É fundamental afastar o hábito das desculpas e justificativas que não levam a nada e não passam de uma tentativa de tentar racionalizar o que não está funcionando.

Quando não se está feliz afetivamente, é comum acreditar-se que é preciso encontrar alguém especial para voltar a ser feliz. Isso explica porque tanta gente se atira em um relacionamento após o outro, com medo de ficar só e não suportar o contato com as suas questões.

O melhor a fazer é aprender com os relacionamentos passados e utilizá-los como espelhos que refletem os seus problemas a serem trabalhados.

Ao fazer isso, você encontrará as ferramentas para solucionar os problemas e se dará conta da importância da atitude no seu relacionamento consigo próprio e com o outro.

Tenha disposição para mudar. Esta disposição acaba com os gérmens da culpa, da vergonha, do fracasso, da raiva, do medo e do ressentimento. Desejar tornar-se melhor para si mesmo e para os outros é um bom começo. Mantenha a auto-vigilância e observe como passa a agir.

Se em algum momento desse processo você se sentir desanimado e preso a comportamentos negativos, sente-se, respire fundo e repita para si mesmo: “Esse é apenas um reflexo de algo que estou manifestando agora. Não é o meu ser verdadeiro.

Faça uma escolha diferente. Mude de idéia. Logo, estará mais calmo e em condições de agir de forma positiva.

Quando sentir-se atraído por alguém, cuidado com táticas desesperadas de conquista. Muitas vezes, quando uma pessoa começa a fazer todo o esforço do mundo para conquistar outra, acaba se afastando de sua verdade: diz coisas que não diria normalmente (e até o que não acredita), tem atitudes que não teria e perde o seu eixo, tira os pés do chão. Em pouco tempo acabará se desrespeitando e iniciando um romance que não terá base de sustentação e acabará desabando.


Cuidado com esse incontrolável desejo de agradar


Com freqüência, de tanto querer agradar e fazer tudo certinho, corre-se o risco de extrapolar. Isso se aplica a diversos aspectos da convivência, como:

Dar mais atenção ao outro do que o outro gostaria.

Sair super produzido(a) para um programa simples como um cineminha ou um café.

Dar uma de atleta sexual na primeira vez que faz amor com aquela pessoa.

Encher o outro de perguntas, querer logo saber tudo sobre a outra pessoa. Quem gosta de um detetive no pé?

Controle o desejo de criar intimidade ou de agradar. "Caso contrário, você só conseguirá assustar o outro, que ira fugir", diz Vilma Ferreira.

A verdade é que a dedicação exagerada assusta e dificilmente agrada. A melhor atitude é ser o mais autêntico possível em vez de ficar fazendo "tipo."

Não tenha vergonha de ser natural, de dizer o que pensa, mostrar como vive, de contar suas preferências, ser você mesmo. É importante ir devagar, saber que tudo leva um tempo para acontecer e não tentar apressar esse ritmo.

Quem quer aprender a ser um bom parceiro amoroso, deve, antes de tudo, aprender a ser um bom parceiro para si mesmo. "Saber agradar-se, respeitar-se e gostar de si mesmo é fundamental para a conquista da felicidade", diz a psicóloga. Quem consegue ser feliz sozinho é capaz de ser generoso e equilibrado e demonstra ter condições vitais para conquistar alguém e ser vitorioso no amor.


Invista nessa idéia:


Trate a si mesmo com carinho e desenvolva o auto-amor. Aprenda a ser feliz sem precisar apoiar-se em outra pessoa. Quando se interessar por alguém, invista na amizade antes de partir para o sexo. Você poderá se surpreender com os resultados.

Ao iniciar um romance, mantenha o clima de mistério e proteja a privacidade de ambos. Nada de ficar contando tudo para os amigos, nem os mais próximos. Valorize a alegria, o alto-astral e o otimismo. Mas fique atento:


Perigo na área


Não restrinja suas pretensões à vida amorosa. Alimente outros desejos, sonhos e projetos que dependam só de você.

Não se tranque em casa. A sua alma gêmea não vai bater à porta, convidando-o para jantar.

Não caia na armadilha oposta. Viver com a agenda social superlotada, na esperança de encontrar aquela pessoa especial, não o levará a lugar algum e ainda fará de você figurinha manjada na praça.

Quando surgir alguém interessante, não force a barra para transformar a nova relação num compromisso. Não pegue no pé dele.

Não veja qualquer nova amizade como um possível novo amor.

Não caia na besteira de interpretar uma troca de olhares mais insistente ou sorrisos simpáticos como prova de amor. Curta o momento e siga em frente. Se for mesmo algo mais, você saberá depois.


Essas terríveis crises de ansiedade. O que fazer?


Conhecer alguém especial, dar início aos jogos de paquera e sedução, começar a sair e curtir programinhas românticos, contar coisas da sua vida e ouvir confidências... ah, como é bom!

É realmente maravilhoso, mas há também aquele outro lado, o da ansiedade, que maltrata muita gente e chega até à falta de ar. Essas crises de ansiedade podem realmente por tudo a perder: você fica nervoso demais, perde a naturalidade, fala de mais ou de menos, comete gafes e, dependendo da pessoa, até desiste de tudo por não suportar a tensão.

"Geralmente a culpa de tudo isso é a expectativa", diz a psicóloga Vilma Ferreira. O ideal é não criar expectativas muito fortes e não começar logo sonhando com relacionamento sério e casamento.

Quando as pessoas começam a se envolver sem essa carga de esperança tão forte, geralmente a relação decola e dá certo. Mas quando um percebe a ansiedade do outro, inconscientemente se protege e, com certa freqüência, se desinteressa.


Para livrar-se da ansiedade, você pode recorrer a:


Técnicas para reeducar a respiração e favorecer a circulação sangüínea, oxigenando o sangue e relaxando o corpo. (...) A oração é um recurso excelente para combater a ansiedade.

Esportes ajudam a gastar a energia concentrada e deixam a mente mais clara. Enquanto se concentra numa atividade esportiva, a pessoa acaba se desligando do motivo que causa a ansiedade e o atormenta.

(...)

Atividades de expressão artística, como pintar, escrever, dançar canalizam a ansiedade e aumentam a auto-estima.

Atividades culturais como ir ao cinema ou simplesmente ler um bom livro, ajudam a pessoa a desligar-se do que está vivendo e, assim, se acalmar.


Fernanda Dannemann

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