Quem Ainda é Presença
Há uma diferença que a maioria das pessoas raramente percebe: ouvir é passivo; escutar exige escolha. Ouvir não requer presença. O som entra, o cérebro registra passivamente, a vida continua. Você ouvia a motocicleta barulhenta, o rádio do vizinho, a pessoa que sempre descreve a perfeição de seus atos. Escutar é diferente e exige que você pause o que está pensando para abrir espaço para o que o outro está sendo naquele momento, não só o que está dizendo. O que está sendo. Quem escuta mantém uma posição ativa, considera, pergunta, absorve, discorda, apoia quando é o caso. É uma escolha proposital, não um reflexo. Existe um ditado que diz que as pessoas precisam ser vistas para serem lembradas. Durante muito tempo interpretei isso como uma observação sobre estratégia corporativa. Apareça, ocupe espaço, não suma do radar. Mas o ditado esconde algo mais sombrio: se as pessoas só lembram de quem veem, estão lembrando de imagens. E imagem não é presença. É sinal. As redes sociais são a prov...