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Farmando Aura

Vi a palavra pela primeira vez num vídeo qualquer destas inutilidades que os algoritmos tentam nos enfiar goela abaixo. Um rapaz atravessava a rua com fones de ouvido, sem olhar para os lados, e a legenda dizia que ele estava farmando aura pelo simples fato de ignorar a prudência na travessia. Milhares aplaudiram, e na semana seguinte, a prática tinha virado outra seita contemporânea.  Na mesma esteira, há quem acredite que constrói riqueza apostando. Abre um aplicativo, arrisca o salário, e chama de investimento aquilo que é o contrário. Provérbios já tinha separado as duas coisas há três mil anos: a riqueza vinda da pressa diminui; a obtida com trabalho, suor e dedicação, cresce. A casa de apostas não vende dinheiro, vende a fantasia de pular a parte do esforço. E mais, há ainda quem receba do Estado uma ponte para atravessar um vão, e decida morar nela. Auxílios que serviriam para cobrir a distância entre uma queda e um recomeço, vira outra coisa quando o sujeito arma a bar...

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