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As Iscas

Um homem chora num ponto de ônibus, câmera perto, a chuva molhando o rosto, e diz a frase que qualquer trabalhador brasileiro reconhece de cor: trabalha, trabalha, e não sai do lugar. Em poucos dias tem casa, patrocínio, milhão de seguidores. Antes dele, outro rapaz gravou algumas luzes perto da propriedade isolada onde mora sozinho, e transformou o medo em pedido de ajuda, que veio, em doações, em fama, num contrato de exposição que a dor sozinha nunca teria comprado. Mais recentemente, uma educadora que foi casada por três vezes e afirmava que a mulher sábia precisava ser submissa ao homem, terminou seu último casamento alegando agora que a mulher sábia é aquela que nem marido tem . Enquanto os três disputam espaço no seu feed, um quarto personagem trabalha mais discreto e mais eficiente que os outros dois juntos: o que usa audiência conquistada para empurrar casa de aposta a quem já não tem de onde tirar. Quatro cenas. Um só mecanismo. A internet não distingue choro verdadeiro de ch...

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