Luz, Câmera, Desastre
Existe uma sala que poucos constroem e muitos não sabem usar, não tem janelas para a rua, possui paredes que guardam o que foi dito, o que foi calado, o que ficou no ar entre duas pessoas que se conhecem de verdade. É nessa sala que os conflitos de família deveriam ser resolvidos. É lá que mágoas têm nome, acusações têm contexto, que arrependimento tem chance. Essa semana, alguém com uma câmera, luz e roteiro escolheu não entrar nessa sala. Não estou aqui para julgar a dor de ninguém. Dor familiar é real, e trair expectativas dentro de casa machuca com a precisão que nenhum inimigo conseguiria. Mas dor não justifica método, e o método importa mais do que a intenção, sempre. Quando alguém vai às redes sociais expor uma causa familiar, não está buscando solução, está buscando audiência ou aprovação. São coisas diferentes, e confundi-las tem custo. O conflito continua existindo, agora com plateia, com comentários, com edição. O que era uma ferida protegida por um curativo, agora se torna ...