Vinte e Cinco

Recentemente uma mulher que criou um exército de fakes: Vinte e cinco perfis, rostos e vozes com uma só intenção: descobrir se o marido era fiel. Não resistiu, e pior, caiu nas vinte e cinco vezes testadas. A notícia que rodou o país como escândalo isolado, também não era. Existe um mercado, gente cobrando caro para flertar com o cônjuge alheio e faturando alto com isso. Serviços oferecidos? Um catálogo inteiro de armadilhas afetivas à venda, com fila de clientes. Os números do setor são claros: quase ninguém passa no teste.

E pra complementar, não é só falha de homem. Homens também contratam o mesmo serviço para vigiar a namorada ou esposa que, segundo as estatísticas, também caem. Ou seja, fraqueza ou defeito de caráter não pergunta o sexo de quem carrega.

A pergunta que interessa não é por que tanta gente cai, mas porque tanta gente paga para confirmar uma resposta que já tem. Quem contrata esse tipo de serviço não está atrás de uma novidade, mas atrás da confirmação. A decisão de terminar a relação está cuidadosamente guardada em algum lugar dentro de si mesmo, no silêncio de quem observa sinais e finge que não viu. O teste não descobre nada, ele só formaliza uma sentença que o coração já tinha escrito.

E aqui mora o ponto que ninguém quer olhar de frente: existe gente disposta a gastar dinheiro investigando o parceiro mas nunca gastou um minuto olhando cuidadosamente pra dentro de si mesmo. Você contrata alguém para expor o caráter do outro, mas nunca se sentou para entender por que escolheu justamente esse caráter questionável. Por que ignorou o que já estava visível na primeira conversa. Por que trocou o nome de carência por amor.

Se alguma atitude no outro te perturba, a dor não vem da coisa em si, mas do julgamento que se faz dela. O julgamento que interessa aqui não nasceu no dia da traição, mas muito antes, no dia em que alguém decidiu não enxergar, reconsiderar, adiar uma decisão. 

As Escrituras em Provérbios recomenda: Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. Ninguém guarda aquilo que se recusa a examinar.

Reconhecer caráter é competência, não instinto de sorte. E competência se constrói, com honestidade sobre os próprios padrões, não com serviços de espionagem. Quem não constrói essa competência escolhe às cegas, descobre a traição, sofre, rompe. Meses depois, está ao lado de outra pessoa com a mesma estrutura de falha, jurando que dessa vez é diferente.

O teste de fidelidade resolve uma dúvida pequena: a pessoa cede ou não cede à tentação? A dúvida que realmente pesa, nenhum fake resolve: como você deixou essa pessoa morar na sua vida?

Alexandre Barreto

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